Minha Terra, Minhas Memórias – Tendas culturais.

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Proposta aprovada pelo Fórum de Lima Duarte, no edital destinado a entidades com projetos sociais na comarca, apresenta resultados.

A proposta da realização de uma Tenda Cultural é a constituição de uma rede de parcerias entre escola, empresas, governantes e comunidade que permita a todos refletir sobre os fenômenos sociais, além das fronteiras do senso comum. Não só para que o aluno problematize sua vida em comunidade, ou seja, sua existência real em um mundo real; mas que ele questione e relativize a aparente verdade dos valores e das representações, sejam elas políticas, morais, religiosas e culturais dadas pelos grupos hegemônicos atuais; para que ele compare realidades distantes e culturalmente diferentes; para que ele exercite um olhar distanciado e qualificado em relação ao senso comum; enfim, para que ele perceba os fenômenos sociais, resultado de ações, atitudes, crenças, como uma dificuldade sociocultural e econômica ao qual se pode dar sentido.

Em breve, um livro será lançado com fotografias e textos dos alunos envolvidos.

Leia a seguir um texto da Ana Paula Evangelista, socióloga e uma das idealizadoras do projeto junto com o historiador Ricardo Aguiar.
Abaixo, algumas fotos tiradas alunos e também pela senhora Olívia, moradora de São Domingos e entusiasta da ideia, e da exposição com o fotógrafo Marco Zuchi, que recentemente lançou um livro com temática semelhante denominado Poeira e Porteira e que colaborou voluntariamente.

Sobre as memórias

Memórias são como os sonhos, eles vem e vão
São aventureiros, são fortes, alguns esquecidos, outros doloridos, às vezes com medo ou com desconhecidos.
Memórias são como as flores, as árvores, os céus
Depende de cada estação, de cada grupo, de cada pessoa
São bonitas, são floridas ou são vazias, ocas, caducas de sentimentos.
Por quê falar de memórias?
Porque memórias descrevem a história,
O tempo passado, presente e projeta o futuro
Memórias marcantes, errantes, trajantes
Que mostram o comecinho de tudo, geração por geração.
Memórias que explicam a cultura, a vida, nossas loucuras…
Boa parte de minha memórias fortificaram-se na juventude
Justamente na cidade de Lima Duarte, em sua zona rural e em suas escolas.
As festividades, as assombrações, as amizades e muitas paixões
Dentre elas pelo conhecimento, pelo saber, que só os livros eram capazes de fornecer.
Mas passei parte da minha juventude em uma várzea, nadando cotidianamente em uma cachoeira, lendo livros, fazendo deveres da escola e brincando com meu irmão, principalmente de jogar bola.
Candeei bois, mexi no arado, no tear, aprendi crochê e a bordar, plantei milhos, colhi muito café e escolhi bastante feijão. Usei a enxada, o gancho , e o fogão a lenha. Faziamos doces e queijos na Sexta-feira da paixão. E de repente fui embora para outro mundo chamado Universidade Federal de Juiz de Fora.
Foi um choque cultural, só que as memórias voltaram quando eu retornei a lima Duarte como professora, principalmente lecionando em São Domingos e em Manejo. Casei com um cantador, tocar de viola e as memórias rurais se acentuaram.
Minhas raízes caipiras me convidaram a fazer esse projeto junto ao professor Ricardo, a trabalhar a modernidade com a tradição e o resultado está aqui e por ae, nas memórias dos alunos e de todos os colaboradores e parceiros dessa missão. Meu muito obrigado e apreciem sem moderação.
Ana Paula Evangelista de Almeida

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